Portal Para a Morte

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

65 - Liberdade






Não sei pra que. 
Só sei que tenho que ir e vir.
Caminhando pé ante pé.

Pé limpo
pé sujo
pé gordo quando chego
pé magro quando acordo
pé do mangue
pé descalço
pé cansado
pé no sapato
pé, pé, pé, . . . 

Eles me levam
e são os mesmos que me trazem.

Cheios de calos
espinhos
fungos
frieiras
unhas cravadas
calcanhares rachados, . . .
são meus pés.

Eles estão aqui.
São meus pés.

Testemunha da minha jornada.
Companheiros das caminhadas.
São fiéis.
São meus pés.
E não empresto.

Nas pedras pontiagudas
nas lamas imundas
nas ladeiras em Olinda
banhados em límpidas águas
dançando nas frenéticas festas
em todos meus movimentos.
São eles. . .
são meus pés.

Em calçados desconfortáveis
ou até mesmo
nas famosas "havaianas".
São meus pés.
É minha ida
é minha vinda.

São meus pés Livres.
São meus pés "Free".
São meus pés "Librés".
São meus pés livres
em qualquer idioma.

            Janice Adja 

"Plágio é crime e está no Artigo 184 do Código Penal".

2 comentários:

  1. Assim, os pés são tudo. Libertos, firmam o valor da liberdade...Belo poema..

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  2. Natan,
    Obrigada pela visita volte sempre.
    Faça do meu blog sua sala de leitura.
    Beijos!

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